August 13, 2009 09:52 PM PDT
Pipas, pra que(m)
te quero?
Texto e fotos de Valeria del Cueto
Leves, alegres, saltitantes, preguiçosas, tensas, persuasivas, suaves, nervosas, agitadas, mansas, fugitivas, alegóricas, coloridas... Pipa é um substantivo capaz de comportar uma penca de adjetivos para definir seu espírito vigente, de acordo com o vento que a sustenta. Venho de um lugar de muitas pipas que, assim como as ondas do mar deste local, são originais, fugazes e perenemente inéditas a cada movimento.
Chame do nome que quiser: pipa, papagaio pandorga... Elas são para quem te quero. Mensageiras do amor e da dor. Para isso nasceram. Da dor quando servem de sinalização para o movimento das bocas e bandos. Do amor quando sobre a céu as milhares, como aconteceu na Faixa de Gaza há poucos dias. Um objeto tão simples, tão frágil representando tanto. Poderoso e expressivo, como a paloma de Picasso há tantos anos atrás.
Bambu, seda, farinha, água e a linha. O milagre está feito. E se repete, numa resistência silenciosa pelos “aís” onde passo. Uruguaiana tem o Julinho das Pipas que, entre um conserto de bicicleta e outro (olha a bicicletaria aí, gente!), encanta a garotada e transmite seu saber às gerações. O Tribuna de Uruguaiana publicou uma matéria sobre ele, o que me fez enredar essas narrativas.
*continua no
link