Texto e foto de Valéria del Cueto
Chove lá fora, chove aqui dentro. Chove, chove, chove. Cheguei na chuva, que me pegou no caminho. O cheiro de terra quente molhada me fez reduzir ainda mais o passo que já era lento, preguiçoso e demorado, compassado pelos grossos pingarotes que começaram a se esborrachar, um a um, no terrenos dos jardins da fada (um dia pretendo apresentá-la a você, leitor companheiro, mas não agora). Decidi rumar para a rua da Piscina, sem número e comemorar a chuva com as plantas do jardim do chalé, recém podadas.
Como dizia, o cheiro da terra molhada quase me fez parar, no meio do caminho. Hipnótico, inebriante. Deliciosamente inebriante. Continuei no meu ritmo de cheiro de terra molhada, sabendo que em breve ele me libertaria e só ficaria fixado na minha imaginação olfativa.
É verdade. Você já reparou? Ele, o cheiro, é como uma onda. Única. Isso mesmo: vem, arrebenta e passa igualzinho a uma onda do mar só que, como já disse, única, solitária. O que fica depois no ar é só sua espuma espelhada, um leve aroma esquecido, um fino fio que nos lembra que a mãe natureza passou por ali.
* continua no SEM FIM...



